O que é o absinto e por que ele fascina?
O absinto, também conhecido como “a Fada Verde”, é uma bebida alcoólica de cor intensa e sabor marcante. Feito com ervas como a artemísia, anis e funcho, seu alto teor alcoólico e fama mística conquistaram gerações de artistas desde o século XIX.
Mais do que uma bebida, o absinto virou símbolo de inspiração, boemia e transgressão. Seu consumo era quase um ritual entre poetas, pintores e músicos que buscavam escapar dos limites da razão e mergulhar em novas dimensões criativas.
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A Lenda da Fada Verde
A alcunha “Fada Verde” vem da tonalidade vibrante da bebida e da crença em seus efeitos alucinógenos. Isso se deve à tujona, substância presente na artemísia, que alimentou o mito de que o absinto causava visões, surtos de genialidade ou loucura — um verdadeiro combustível artístico.
Durante a Belle Époque, o absinto se tornou onipresente em cafés parisienses e ateliês de arte. Era mais que uma bebida: era um estilo de vida alternativo, quase mágico, cercado de glamour sombrio e rebeldia criativa.
Absinto na literatura e nas artes visuais
Escritores que beberam inspiração
Grandes nomes da literatura como Oscar Wilde, Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud e Paul Verlaine viam no absinto um portal criativo. Oscar Wilde chegou a escrever:
“Depois do primeiro copo, você vê as coisas como gostaria que fossem. Depois do segundo, como não são. E, finalmente, como realmente são.”
Essa visão onírica da realidade era exatamente o que muitos desses autores buscavam em sua produção poética e filosófica.
Pintores movidos por verde
Nas artes visuais, nomes como Vincent van Gogh, Henri de Toulouse-Lautrec e Edgar Degas também foram ligados ao consumo de absinto.




Essas obras capturam tanto a realidade como o mito da bebida — ora companheira de inspiração, ora símbolo de melancolia criativa.
Van Gogh, conhecido por sua intensidade emocional e crise de saúde mental, era consumidor assíduo da bebida — muitos estudiosos ligam seus quadros vibrantes à influência do absinto.
A influência do absinto na música e além
O som da decadência artística
O absinto não ficou restrito ao século XIX. Sua aura transgressora ecoa até hoje na música, moda e estética de artistas modernos. Um dos exemplos mais emblemáticos é Marilyn Manson.
O músico incorporou o absinto como parte de sua identidade visual e artística. No videoclipe da música “mOBSCENE”, o cenário é marcado por decadência glamourosa e elementos inspirados na Fada Verde. Manson também lançou sua própria marca da bebida, chamada Mansinthe, dizendo que ela foi essencial no processo criativo de seu álbum Holy Wood (In the Shadow of the Valley of Death).

Absinto: Arte, mito e legado
O absinto permanece um símbolo de rebeldia criativa, e seu legado segue vivo em exposições, documentários e relançamentos da bebida em versões legais. O que começou como uma infusão herbal se transformou em um ícone da contracultura artística.
A Fada Verde pode não ser real, mas continua inspirando quem busca criar além da lógica.

Formado em Publicidade e apaixonado pelo universo da música e das bebidas, Jefferson criou o São Gallö como um hobby, onde compartilha curiosidades e histórias fascinantes desses dois mundos.